engajando-nossos-adolescentes-como-podemos-nos-conectar-com-eles

Engajando Nossos Adolescentes: Como Podemos nos Conectar com Eles?

Você frequentemente vai ouvir alguém dizer: “Oh, seus filhos são tão fofos. Aproveite enquanto eles ainda são novos, porque quando eles se tornarem adolescentes, se prepare! Lá vem o desastre!” Nossa sociedade frequentemente encara as ondas que vêm com a  adolescência como um tsunami iminente. Muitos pais temem essa fase da criação. Quando as crianças tornam-se adolescentes, a meta dos pais é simplesmente sobreviver.

PERSPECTIVA ERRADA

Tristemente, muitos pais cristãos compartilham essa perspectiva. Eles se preparam, meio que torcendo para o melhor, mas realmente esperam o pior. Na verdade, muitos pais cristãos simplesmente antecipam que seus filhos vão passar por uma fase inevitável de rebelião adolescente. Eles esperam que seus filhos vão inevitavelmente ter comportamentos inapropriados; mas esperançosamente, vai dar tudo certo.

Nós precisamos rejeitar essa perspectiva. Isso afasta os pais dos seus deveres e os torna desesperançosos. Além disso, essa abordagem com relação a paternidade não é apoiada pela Palavra de Deus. Certamente, se nós acreditamos que nossos filhos têm o dever de viver de acordo com os comandos de Deus, não é possível que nos sintamos confortáveis com essa perspectiva. Como cristãos reformados, nós abraçamos uma abordagem da aliança sobre criação de filhos e como lidar com nossos adolescentes. O que isso significa? Para os iniciantes, isso significa que nós estamos olhando com expectativa para o nosso Deus da aliança de que Ele usará de Sua graça em nossas vidas e nas vidas de nossos filhos. Isso também significa que nós vamos amorosa e apaixonadamente conduzi-los nos caminhos de Deus. E não vamos esperar, nem tolerar rebelião adolescente.

Não me entenda mal. Não estou dizendo que é fácil. Longe de ser idealista, eu sei que lidar com os nossos adolescentes tem seus desafios. Isso pode ser uma experiência bem complicada! A apreensão que muitos pais sentem enquanto seus filhos crescem é compreensível. E isso precisa de mais do que expectativas elevadas para lidar de forma eficaz com nossos adolescentes.

O QUE SÃO ADOLESCENTES?

Não há duvida de que os adolescentes são criaturas complexas e bastante incomuns. O que é isso com os  adolescentes que frequentemente faz educá-los algo tão desafiador? Tedd Tripp coloca da seguinte maneira:”Os anos da adolescência são anos de uma insegurança monumental. Ele não é uma criança, tão pouco um adulto. Ele esta inseguro com a forma como deve agir.”

Os adolescentes sentem-se inseguros sobre tudo. Eles preocupam-se com a sua aparência. Eles têm as roupas certas?  Eles as estão vestindo da maneira correta? O que seus amigos vão pensar sobre esta camisa, vestido ou novo corte de cabelo?

Os adolescentes sentem-se inseguros com relação ao seus corpos…Eles se preocupam com  se desenvolver dentro do cronograma…Adolescentes experimentam apreensão com suas personalidades. Ele se questionam se são sérios o suficiente, engraçados o suficiente, criativos o suficiente, despreocupados o suficiente?

Enquanto isso é um período de instabilidade, isso é paradoxalmente um período quando crianças estão tentando estabelecer uma personalidade independente. O adolescente quer ser sua própria pessoa. Enquanto sua necessidade de direção nunca foi tão grande, ele vai resistir às tentativas de encurralá-lo.

Paul Tripp expande sobre a natureza dos anos de adolescência dessa forma:”Esse é o período quando o adolescente está inundado de perguntas. Quem sou eu? Eu estou okay?…Quem está certo e quem está errado?…O que eu vou fazer com a minha vida?…As pessoas realmente gostam de mim? Eu sou normal? A minha família é normal? Deus é real?”

Em relação ao desenvolvimento teológico e espiritual deles, ele continua dizendo:”A adolescência é frequentemente um período de luta com questões sobre fé…Quando eles são crianças pequenas, eles acreditam em tudo que você os conta sobre Jesus, Seus milagres, e mais. Eles acreditam porque Mamãe e Papai dizem que é verdade. Mas enquanto eles crescem, descobrem que algumas pessoas inteligentes por ai à fora não acreditam nas coisas que você acredita. Eles lutam com a questão, “Eu acredito nessas coisas porque eu tenho sido ensinado ou eu realmente acredito por mim mesmo?”

Nossos adolescente precisam de muita interação e orientação. Eu te exorto a considerar esses anos desafiadores, não como um tsunami iminente, mas, como Paul Tripp denomina, uma “idade de oportunidade”. Nossos adolescentes precisam desesperadamente de uma influência sábia e amorosa de seus pais para guiá-los nesses anos árduos. Vamos considerar uma aproximação bíblica para guiar nossos adolescentes.

UMA APROXIMAÇÃO BÍBLICA

Os pais são frequentemente intimidados com os anos da adolescência. Eles se sentem inadequadas para fornecer a orientação, instrução e disciplina que seus filhos precisam. A tentação é de se esquivar , ou procurar outros para suprirem a lacuna. “Eu tenho esperança que os professores da escola podem dar algum senso ao meu filho”. Ou, “Nós precisamos de jovens presbíteros em todas as nossas congregações que possam  passar tempo com os mais novos e dar a eles aquele tratamento pastoral um-a-um que eles precisam.” Alguns pais vão dizer, “Eu não sou bom em ensinar conceitos teológicos para a minha filha. É para isso que temos os professores que ensinam o Catecismo.”

Imagine a frustração que isso gera para os professores, líderes de grupos de jovens, pastores e presbíteros, quando os pais entregam as suas responsabilidades em relação aos seus adolescentes! John Angell James, em The  Christian Father´s Present to His Children,  disse, “O homem que não faz o caráter religioso de seus filhos o fim supremo de sua conduta para com eles pode até professar que acredita como um cristão, mas certamente age como um ateu”. Os anos da adolescência é um período em que deveríamos estar ainda mais engajados com nossos filhos. Isso é, de fato, uma ótima oportunidade para nutrir  um maravilhoso e altamente interativo relacionamento com eles, preparando-os para sair de casa, prontos para encarar o mundo por conta própria.

Está claro nas Escrituras que os pais são adequados para a tarefa. O livro de Provérbios tem muita sabedoria à oferecer no que diz respeito à esse tema. Como exemplos: “Filho meu , ouve o ensino de teu pai e não deixes a instrução de tua mãe” (Pv. 1:8). “O filho sábio ouve a instrução do pai, mas o escarnecedor não atende à repreensão” (Pv. 13:1)

Uma passagem chave é Deuteronômio 6:6-7. Aqui o Senhor fala ao Seu povo do pacto, “Estas palavras que, hoje, te ordeno estarão no teu coração; tu as inculcarás a teus filhos, e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e ao deitar-te, e ao levantar-te.” A ideia aqui é que realidades espirituais devem ser discutidas aberta e regularmente no lar.  Se nós aplicarmos isso em nossas famílias, o senhorio de Cristo sobre nós, e Suas reivindicações sobre nós, como Seu povo da aliança, isso será uma parte normal da nossa conversa do dia-a-dia.

Essas questões com que os adolescentes estão lidando são abordadas de forma mais eficaz em períodos de não-conflito. Isto implica que precisamos pensar criativamente em como iniciar discussões. Devemos envolver nossos adolescentes em todas as atividades normais da vida: enquanto varremos juntos as folhas, jantamos, dirigimos com eles. Não vamos estabelecer momentos ou áreas das nossas vidas onde deixamos Deus de fora.

DESENVOLVENDO UMA ESTRATÉGIA

Muitas vezes reagimos aos nossos adolescentes, abordando-os apenas em tempos de conflito. Quando abordamos os seus específicos comportamentos negativos, nós rapidamente mostramos que estamos zangados ou frustrados, e nossos adolescentes ficam na defensiva e menos receptivos ao ensino. Nós precisamos ser mais proativos. Nós deveríamos gastar muito mais energia nutrindo um relacionamento aberto e confortável com os nossos adolescentes. Idealmente, nós seremos mais capazes de falar com eles casualmente sobre tudo: dinheiro, esportes, sexo, culto, o garoto ou a garota que eles gostam, e todo o resto abaixo do céu. Nós precisamos trazer as reivindicações de Cristo em todas as áreas da vida. Isso vai aumentar nossa influência global sobre eles. À medida que nossos filhos vão crescendo, nós devemos confiar cada vez menos na nossa autoridade sobre eles e buscar mais e mais oportunidade para influenciá-los. Tedd Tripp adverte contra sermos excessivamente autoritários com nossos adolescentes:

“Pelo autoritarismo eu estou…falando de ser excessivamente rígido: “ Você não não escapa de nada comigo. Eu vou tornar o seu castigo mais rigoroso.” Em vez de nos tornarmos uma autoridade maior, nós precisamos chegar ao lado dos nossos adolescentes como as maiores influências positivas…Se eu te dissesse que o presidente dos Estados Unidos nunca toma uma decisão sem antes checá-la comigo, e que ele  sempre faz o que eu sugiro, quanta autoridade eu teria no governo? Nenhuma. Mas eu tenho uma quantidade significativa de influencia porque eu tenho o ouvido do presidente. Nós queremos nos tornar pais que tenham  influência sobre nossos adolescentes.”

Isso requer trabalho. A fim de aproveitar ao máximo esta época de oportunidade, nós precisamos ter interesse real na vida dos nossos adolescentes. Nós precisamos gastar tempo com eles. Isso significa, por um lado, que nós não permitimos o nível de interação com os outros adolescentes que eles demandam. Isso também significa que nós precisamos avaliar como nós priorizamos o nosso tempo. Passar um tempo significativo com os nossos adolescentes não é fácil de fazer em nosso dia. Isso pode significar que você peça diminuição no trabalho, assim o trabalho não controla a sua vida. Isso pode significar assumir uma pescaria, ou hockey, ou alguma outra atividade que seu adolescente goste. Isso pode significar sair e torcer por eles nos seus jogos de volleyball. Precisamos fornecer o contexto para que a interação ocorra.

Observe a tendência dos adolescentes de evitar interação com grupos de idade diferentes,  apenas querendo se divertir com o grupo de sua mesma idade. Isso não é saudável. Nossa sociedade tende a segregar crianças e jovens em grupos etários claramente definidos. Isso também influencia o povo de Deus. Nós precisamos trabalhar no cultivo de interação entre diferentes idades e atividades familiares. Os adolescentes precisam ter mentores mais velhos que eles por perto, e também precisam ver como eles podem impactar a vida de crianças mais novas que eles.

CONSTRUINDO UM RELACIONAMENTO

Busque um relacionamento com o seu adolescente no qual você não está constrangido por ele, e nem ele constrangido por você.  Você não deveria sentir-se estranho quando aproxima-se do seu adolescente e do grupo de amigos dele ou dela. Eles também não deveriam sentirem-se estranhos. Se isso acontece com você, mais trabalho deveria ser feito no desenvolvimento de um relacionamento saudável com eles. Lembre-se, relacionamentos familiares são relacionamentos primários. Mire alto.

Quando você introduz uma conversa espiritual ou teológica com seus adolescentes, dê a eles muito espaço. Lembre-se que eles são jovens e delicados. Dê a eles liberdade para expressarem-se e gentilmente os conduza. Tedd Tripp da um conselho: “Pastorei os seus adolescentes em meio à esses inevitáveis períodos de duvida. Não desafie “Como você pode questionar a presença e a existência de Deus depois de tudo que lhe foi ensinado?”Ao contrario disso diga, “Quais são as suas perguntas? Vamos falar sobre elas. Sua mãe e eu não somos cristãos porque não usamos a cabeça. Nós acreditamos que nossa fé é uma fé razoável…”Como em qualquer corrida de revezamento, você corre ao lodo de outro corredor e procura garantir que ele tem um controle firme sobre o bastão antes que você o deixe correr por conta própria.”

Esteja pronto para dar uma contribuição bíblica para desacordos morais e teológicos. Isso pode precisar de algum trabalho e estudo da sua parte, mas dizendo “este é o jeito que sempre fizemos isso” é como um tiro pela culatra. Seu adolescente tem o direito à uma razão bíblica. Em nossos dias, existem literalmente toneladas de recursos bons e úteis, prontamente disponíveis, então tenha alguns bons livros sempre à mão. ( Algumas sugestões podem incluir Essential Truths of the Chirstian Faith por R. C. Sproul; Refuting Evolution por Jonathan Sarfati; Manualof Chiristian Doctrine por Louis Berkhof; The Bible Answer Book, Vols. 1 e 2, por Hank Hanegraaff. Peça ao seu pastor ou alguém experiente mais sugestões.)

SIGA JUNTO

Quando você decide que precisa confrontar seu filho em uma questão moral ou comportamental, tenha certeza de que sabe do que esta falando. Como Paul Tripp diz, “Os pais frequentemente perdem credibilidade porque estão mal informados. Quando você não tem feito seu dever de casa, você vai recorrer a estereótipos, generalizações, rumores, e caracterizações de homem de palha.” Pegue os fatos e seja gracioso nas suas confrontações. Lembre-se, “A resposta branda desvia o furor” (Pv. 15:1). Ao mesmo tempo, seja firme. Não permita desafio ou desrespeito.

Garanta que esta caminhando ao lado dos seus adolescentes, lembrando-os de que você não é nada mais do que um pecador salvo pela graça. Procure mostra-los como a graça funciona. Peça perdão a eles quando você cometeu algum erro para com eles. Similarmente, peça perdão ao seu cônjuge quando você pecar contra ele ou ela- e faça isso na frente dos seus adolescentes. Exemplifique o caráter Cristão na sua casa. Ore junto com os seus adolescentes. Fale sobre desafios que você enfrenta em submeter a sua própria vontade à vontade do seu Pai Celestial. Fale, fale, fale.

Fale muito bem da igreja institucional. Fale com respeito sobre a sua igreja local, seus presbíteros, seus pastores, e sobre a pregação. Seja bem cuidadoso se algo na pregação precisa ser corrigido ou esclarecido. Seus filhos entendem qualquer sarcarmos e desrespeito; isto é muito prejudicial. Fale sobre como você valoriza os cultos dominicais e a reunião do povo de Deus como o destaque da sua semana! Fale, fale, fale com seu adolescente.

Finalmente, Faça da sua casa um lugar atrativo e divertido para se estar. Seja hospitaleiro. Deixe que os jovens espalhem suas sapatos de corrida sujos por todo hall de entrada. Lute para fazer da sua casa um lugar onde seus adolescentes sintam-se em casa-protegidos, amados, e encorajados a prosseguir no serviço do Senhor.

CONCLUSÕES

Os anos da adolescência são, com certeza, interessantes e desafiadores. No entanto, não devemos imaginar que exista uma tsunami no caminho. Pelo contrario, nós devemos visualizar esse período como um período de grande oportunidade. O Senhor nos tem dado direção na Sua Palavra. Vamos olhar para o Senhor para que ele abençoe nossos esforços como pais. E vamos usar os meios que Ele tem provido. Que o Senhor conceda a Sua graça e sabedoria para nós pais, e para nossos adolescentes, para a Sua gloria!

Original: aqui / Tradução: Giulia Almeida / Este artigo foi gentilmente cedido por mulherespiedosas.com.br.

Share this post