invocacao

Invocação

O primeiro elemento no nosso culto vem da congregação e se chama invocação. O ministro fala em favor da Igreja ou os próprios membros, junto com o ministro, proferem as palavras que encontramos no Salmo 124.8: “O Nosso Socorro está em o Nome do SENHOR, Criador dos céus e da terra”. Conhecemos muito bem estas palavras. Elas são proferidas por nós no início de todos os cultos. Qual a origem dessa prática? E qual o propósito e significado destas palavras para nós?

O pano de fundo histórico da invocação.

É claro que as epístolas do NT começam com a saudação. Nos cultos das igrejas dos primeiros séculos, liam-se sempre as epístolas dos apóstolos com uma saudação no início do culto. Na história da igreja cristã, em seu começo, encontramos a saudação no início do culto. Mais tarde foi introduzido o chamado “intróito”. O sacerdote entrava na igreja e a congregação cantava o cântico de entrada. Depois o sacerdote dirigia-se ao povo com uma saudação. A liturgia era muito extensa e o sacerdote realizava muitas cerimônias. Uma dessas cerimônias era a confissão pessoal de pecados e uma oração por perdão e purificação. O sacerdote iniciava sua oração dizendo: “O Nosso Socorro está em o Nome do SENHOR”, enquanto um dos assistentes respondia: “Que fez os céus e a terra”. Era uma oração de preparação para o sacerdote. Esse elemento da nossa liturgia, portanto, vem da missa. Esta é a origem do início tradicional de nossos cultos. Porém, desde a Reforma, estas palavras não se aplicam ao clero somente, mas à congregação inteira. A Reforma colocou estas palavras na boca da Igreja, dando ênfase ao culto congregacional e participação ativa dos crentes na adoração ao Senhor. A Reforma também restaurou o sentido bíblico do culto em todos os seus elementos.

O contexto do Salmo 124

No Salmo 124, os israelitas expressavam sua gratidão e confiança no Senhor pela ajuda contra os inimigos. Este salmo é um cântico de romagem (cântico dos degraus). É um salmo de Davi. Pode ser que ele esteja fazendo referência ao êxodo do Egito, quando Deus libertou Seu povo. Lembramos também que Davi, muitas vezes, foi alvo do livramento do Senhor. Davi confiava em Deus e chama Israel a fazer o mesmo. O povo cantava subindo para Sião, a fim de adorar o SENHOR no templo em Jerusalém. Eles se apresentavam diante do Senhor para clamar por Seu nome, reconhecer a total dependência Dele e dar graças por suas bênçãos. Deus deu livramento a Israel das mãos dos inimigos. Eles O louvam por isso (Sl 124.1-7). A Igreja de Cristo confessa com as palavras desse salmo, que Deus é poderoso para cuidar dela diante das investidas do inimigo.

A confiança de Israel estava no Nome do SENHOR. O Nome do SENHOR indica quem Ele é e como Se revelou em Sua palavra: O Deus do Pacto, o SENHOR poderoso, fiel e misericordioso para salvar e proteger o Seu povo. O crente tem firme confiança no nome do SENHOR – o próprio Deus, com Sua presença ativa para redimir o Seu povo. O povo de Deus sempre dependerá da ajuda do Deus Todo-Poderoso que fez os céus e a terra. É bom lembrar-se disso logo no início do culto.

Aplicações na vida da igreja

A invocação é falada pelo ministro, em favor da igreja. Não há problemas quanto a todos dizerem estas palavras juntos. Existem as duas práticas nas Igrejas Reformadas. O que atualmente acontece quando o ministro fala essas palavras, em favor da congregação ou junto com ela?

Quando invocamos o nome do Senhor, estamos fazendo uma afirmação, professando a nossa fé em Deus. Invocar é chamar ou clamar pelo nome de alguém para que ele venha em nosso socorro. Isso requer fé, confiança. Quando invocamos o nome de Deus, chamamos por Ele, clamamos por Sua ajuda. Você não vai pedir ajuda a quem não conhece nem em quem não confia. Deus deseja que O invoquemos. A Bíblia nos chama a invocar o nome do SENHOR (Sl 50.15; Is 55.6). Na aliança, não é Deus quem precisa de nós; somos nós que precisamos de Deus. Deus abençoa os que O invocam e confiam nEle (Rm 10.11-13).

Ao proferir as palavras do Sl 124.8, nós, em primeiro lugar, invocamos a Yahweh, Deus dos patriarcas que Se revelou a Moisés e salva o Seu povo. O Deus que nos adotou como Seus filhos pela graça em Cristo. Segundo, nós O reconhecemos como Criador Todo-Poderoso dos céus e da terra (primeira parte do credo, Domingos 9 e10), que nos criou e cuida de nós em toda nossa vida. E, por fim, clamamos por Sua ajuda; pedimos o Seu socorro. Colocamos nossas vidas em Suas mãos (Sl 146.5). Sabemos que sem Ele nada podemos fazer, e que toda a nossa suficiência vem Dele (Jo 15.6; II Co 3.5). O Nosso Socorro está em o Nome do SENHOR. Invocar o nome do SENHOR não é algo que devemos fazer de forma fria, simplesmente lançando palavras ao ar. É uma confissão de fé. É algo que traz conforto ao nosso coração. É algo que muda a nossa vida. Pois a invocação manifesta a confiança e satisfação da Igreja, logo no início do culto, por viver em relação pactual de amor com o SENHOR Deus Todo-Poderoso, que fez o céu e a terra e que está perto para cuidar de nós.

A invocação não se limita ao culto, mas está ligada à nossa vida a cada dia. Também não é uma fórmula mágica para adquirir o poder de Deus. Mas é algo que experimentamos a cada dia, pela fé. Quem, senão o Nosso Ajudador, pode nos auxiliar diante dos perigos, dificuldades e tentações do dia a dia? Quem pode nos ajudar em nossa falta de fé? O Nosso Socorro está em o nome do SENHOR. Essa invocação nos dá conforto e encorajamento para nossa fé. Deus está conosco todos os dias, por Sua Palavra e Espírito. Ele é o Nosso Socorro sempre presente (Sl 46.1, 10,11).

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