Fontes divinas

O Catecismo de Heidelberg: De Fontes Divinas

Ontem, eu tive o prazer de dirigir o culto na Igreja Reformada Canadense Vineyard em Lincoln, ON. À tarde, me pediram para ensinar sobre o Domingo 1 do catecismo. Abaixo você encontra um trecho da minha introdução. Neste trecho, eu citei a defesa do catecismo que Frederico III fez na Dieta de Augsburgo (1566). Isto é muito apropriado de ser lembrado neste ano em que celebramos o 450° aniversário do Catecismo.

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Nesta tarde, nós começaremos outra série de sermões no Catecismo de Heidelberg. O Catecismo pode ser considerado como um mapa bíblico. Ele não usurpa o lugar da Escritura, mas nos ajuda a enxergar os ensinos mais importantes dela, como um mapa nos ajuda a ver os lugares mais importantes de uma região. Além disso, ele nos auxilia a organizar aqueles ensinamentos de forma sistemática. A Bíblia é grande e diversa. Por isso, com o Catecismo de Heidelberg nós temos seus ensinos organizados num formato simples e de fácil memorização.

O catecismo foi escrito em alemão em 1563 – 450 anos atrás. Ele foi escrito durante os últimos anos da Grande Reforma. Entre seus autores estão Zacharias Ursino e Gaspar Oleviano. Eram jovens de 28 e 26 anos e professores de teologia em Heidelberg. Foram nomeados para o cargo pelo Eleitor Frederico III, governador do Palatinado, uma província alemã. Frederico encomendou o catecismo para instrução dos jovens sob seu governo e para servir de guia aos pastores e professores no Palatinado.

Eu suponho que o que eu disse até agora é familiar para muitos de vocês. Contudo, já repararam que este catecismo, um catecismo reformado, foi escrito em alemão? A Alemanha é normalmente associada com o luteranismo, não com a fé reformada encontrada no Catecismo de Heidelberg. Vocês precisam saber que existia uma rixa entre os calvinistas e os luteranos na época que o catecismo foi escrito. A existência de um catecismo alemão reformado era incomum, para dizer o mínimo.

O patrono do catecismo, Frederico III, estava ciente da controvérsia. Ela o incomodava muito. Quando o catecismo foi escrito e publicado, os luteranos alemães se alvoroçaram. Eles acusavam que Frederico (e o Palatinado) estavam se tornando reformados. Isto não seria um grande problema se não existisse a Paz de Augsburgo (1555). Este tratado entre o imperador do sacro império romano Carlos V e os príncipes alemães definia que somente o luteranismo e o catolicismo romano eram permitidos na Alemanha.

450 anos atrás, logo que nosso catecismo foi publicado, levantou-se enorme oposição. O Eleitor Frederico foi pressionado e teve que apelar para o Imperador Maximiliano II na Dieta de Augsburgo. Tudo estava em jogo – Frederico poderia perder tudo – seu governo, sua vida e seu catecismo. Quando compareceu em Augsburgo em 1566, Frederico foi acusado de promover o calvinismo por meio do Catecismo de Heidelberg.

Por que isto é importante hoje? Porque ainda hoje alguns veem o Catecismo de Heidelberg simplesmente como uma expressão de ideias e opiniões humanas. O Catecismo de Heidelberg expressa as crenças reformadas, mas ele não é a Bíblia. É verdade que o catecismo não é a Bíblia e é verdade que ele expressa as crenças reformadas, mas precisamos dizer muito mais. Frederico apresentou sua defesa ao imperador Maximiliano e suas palavras devem ser ouvidas de novo. Ele reafirmou a fé que havia confessado com os príncipes alemães em 1558 e 1561. No entanto, acrescentou:

“Nesta fé eu permaneço firme, com nenhum outro fundamento, a não ser, porque eu a encontrei estabelecida nas Sagradas Escrituras do Antigo e do Novo Testamentos. Não creio que alguém terá sucesso em demonstrar que qualquer coisa que tenha feito ou recebido se opõe a este credo. Porém, meu catecismo, palavra por palavra, é concebido, não de homens, mas de fontes divinas; as referências bíblicas que citadas nas margens deixam isso bem claro.”

Conta-nos a história que Frederico enfrentou Maximiliano, o mais poderoso governante de seus dias, ao lado seu filho João Casimiro. O filho de Frederico permaneceu com a Bíblia aberta e Frederico desafiou o Imperador com estas palavras:

“O que disse publicamente a Vossa Majestade diante duma assembleia de príncipes – isto é, que se qualquer pessoa de qualquer idade, status ou classe, até mesmo o mais humilde, me ensinar algo melhor das Escrituras Sagradas, eu lhe agraderecei do fundo do meu coração e estarei prontamente obediente à verdade divina – esta declaração eu repito agora na presença desta assembleia de todo o império. Se entre milordes e amigos houver qualquer pessoa que o faça, estou disposto a dar ouvidos. E eis aqui as Escrituras, à mão. Se apraz a Vossa Majestade aceitar esta tarefa, eu considerarei o maior dos favores e reconhecerei na mais adequada gratidão.”

O corajoso desafio de Frederico ficou sem resposta e o Catecismo de Heidelberg entrou para a história como um dos resumos mais bem-recebidos do ensino das Escrituras. Esta é nossa confissão. Fazemos bem em seguir o exemplo de Frederico e salientar que ele não é uma compilação de raciocínios humanos e doutrinas. Em vez disso, ele é a fiel verdade de Deus destilada em 52 Domingos. Devemos ser gratos ao testemunho de Frederico e também orar para termos o mesmo espírito, não somente de intrepidez, mas também de abertura de instrução. Devemos estar sempre dispostos a aprender das Escrituras.

Original: The Heidelberg Catechism: “From Divine Sources” / Tradutor: Isaías Lobão.

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