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O Reclamador

O problema: O meu filho adolescente tem um profundo senso de justiça. Quando ele vê um dos seus irmãos fazendo algo errado, ou deixando de cumprir alguma tarefa, ele logo comenta comigo. Isso me deixa cansativo, pois os mínimos erros e negligencias dos meus outros filhos sempre me são comunicados quase imediatamente. Meu filho quer que eu trate logo do problema, disciplinando a criança que errou. No fundo, ele está querendo cobrar de mim um estilo de criar filhos que ele acha correto. Isso me incomoda. Por um lado, não posso reclamar, pois o meu filho deseja que as normas que eu estabeleci no lar sejam respeitadas. Mas, por outro lado, não acho apropriado que ele se coloque em julgamento sobre seus pais.

A solução: Instrui meus filhos a não correrem  logo para papai e mamãe para denunciar os erros uns dos outros. Usando o conceito de disciplina mútua ensinado pelo Senhor Jesus Cristo em Mateus 18, encorajei os meus filhos a, primeiro, falar graciosamente com o irmão que errou, procurando, com amor, mostrar-lhe o erro e encorajá-lo a corrigir.

Agora, quando acontece de um filho vir correndo com denúncias, perguntamos: Você falou com seu irmão? Pediu que ele parasse? Tentou resolver entre vocês?

O problema (2): Em geral, isso tem funcionado, mas no caso do meu filho adolescente, nem tanto. Ele fala com os seus irmãos mais novos, tenta corrigi-los (nem sempre graciosamente!) e, muitas vezes, as crianças não respondem bem. Então, imediatamente, meu filho vem reclamando a mim.

Numa família grande, com muitas crianças (pequenos pecadores com suas muitas falhas), é cansativo ter um adolescente chamando atenção a todos os problemas! Então, a solução funcionou somente parcialmente.

Certo dia, a minha filha pequena viu alguns livros espalhados no chão. Sabendo que ali não é lugar para livros, ela os juntou e colocou na mesa. Meu filho viu aquilo e falou: “Cristiana, você deveria colocar os livros na estante”. Talvez, pelo tom de cobrança dele, ela se recusou a fazer. “Não é minha tarefa”, respondeu e foi embora. Assim que entrei na sala, meu filho foi logo reclamando (de novo!) da negligencia da irmã.

A solução (2): Tive uma conversa séria com ele e lhe expliquei que não é edificante eu ouvir dele todos os mínimos erros dos seus irmãos. Aproveitei o exemplo dos livros e lhe disse: Você viu sua irmã pequena sem vontade de guardar os livros no lugar certo. Ela errou, mas veja como ainda é pequena e imatura. O que o impediu de se levantar e guardar os livros? Talvez a mesma situação vá se repetir algumas vezes, mas se você falar cada vez, com amor e doçura, sua irmã vai aprender e amadurecer. Aos poucos, ela vai assumir mais e mais responsabilidades. Não é necessário correr para informar a seus pais cada vez de novo. Se durante várias semanas, ou por muitos dias ela repetir o erro, e você não vir nenhuma mudança nela, então, você pode ir falar com papai ou mamãe sobre o problema.

O problema aqui, não é, em primeiro lugar, os erros dos meus filhos pequenos. O problema está no coração do meu filho adolescente. Ele tem um senso muito desenvolvido de justiça, da Lei. Ele quer que a Lei seja obedecida a qualquer custo. Mas, o que falta nele, ainda, é aprender mais sobre a graça. Ele a conhece intelectualmente, mas carece de uma maior experiência dela. Oro que Deus o faça enxergar mais profundamente a riqueza da graça e misericórdia do Senhor, e que elas (graça e misericórdia divinas) encham-no a ponto de transbordar, para que a relação que tem com seus irmãos seja transformada.

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